🟣 Editorial | A democracia que ignora mais da metade do país

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O Brasil se orgulha de ser uma democracia plural, mas os números revelam uma verdade incômoda: as mulheres seguem invisíveis nos espaços de poder. Somos 51% da população e 53% do eleitorado, mas ocupamos apenas 12% das prefeituras. No Congresso Nacional, a presença feminina é ainda mais tímida: 17,7% na Câmara dos Deputados e 12,3% no Senado. E quando o recorte é racial, o abismo se aprofunda — mulheres negras, que representam 28% da população, governam apenas 4% dos municípios. No Senado, há apenas uma senadora que se declara negra.

Esses números não são apenas estatísticas. São sintomas de um sistema que exclui, silencia e deslegitima a voz feminina. A política brasileira ainda opera sob uma lógica patriarcal, onde mulheres são vistas como exceção, não como protagonistas. E isso tem consequências diretas: leis que não refletem a realidade das mulheres, orçamentos que ignoram suas necessidades, e políticas públicas que falham em proteger e promover igualdade.

Enquanto o mundo avança — com uma média global de 26,5% de mulheres nos parlamentos — o Brasil caminha a passos lentos, preso a estruturas que resistem à renovação. A sub-representação feminina não é apenas injusta. É antidemocrática. Porque uma democracia que não escuta a maioria, não representa ninguém.

É preciso romper esse ciclo. Não com discursos vazios, mas com ações concretas: financiamento público justo para candidaturas femininas, combate à violência política de gênero, incentivo à formação de lideranças e revisão das estruturas partidárias que sabotam a participação das mulheres.

A política brasileira precisa deixar de ser um clube masculino. Porque enquanto as mulheres forem minoria no poder, o país continuará sendo minoria em justiça, diversidade e futuro.

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